Circulação dos jornais cresceu em 2007
O Estado de S.Paulo - Negócios - 28/01/2008 - Pág.B9
A circulação dos 92 jornais filiados ao Instituto Verificador de Circulação (IVC) cresceu 10,1% em 2007, em relação ao ano anterior. Foram 4,143 milhões de exemplares distribuídos diariamente em média em dezembro, ante 3,762 milhões no mesmo mês de 2006.
A boa notícia para o meio jornal, na avaliação do presidente do IVC e diretor da multinacional Procter & Gamble, Pedro Martins da Silva, é que esse resultado confirma um dinamismo injetado pelos empresários do setor nos negócios. “Há um ambiente favorável, com reformulação de projetos, mudanças gráficas e novos jornais segmentados para determinados públicos, a preços mais acessíveis”, diz ele. “Isso faz com que os leitores vejam suas necessidades mais bem atendidas.”
O IVC audita apenas os jornais pagos. No mercado nacional não há dados disponíveis sobre os gratuitos. Lá fora, em países como Espanha, França e Inglaterra, o fenômeno de aceitação do jornais gratuitos foi capaz de impulsionar a indústria jornalística global nos últimos anos.
A circulação mundial de jornais cresceu 9,95% entre 2001 e 2005, segundo um estudo divulgado, no ano passado, pela Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês). Boa parte desse crescimento deveu-se aos jornais gratuitos, que mais que dobraram de tamanho nesse mesmo período analisado, passando de 12 milhões para 28 milhões de exemplares por ano. Ao todo, havia mais de 450 milhões de exemplares de jornais vendidos por dia no mundo, e o número de leitores de publicações pagas excedia 1,4 bilhão de pessoas.
O balanço do IVC referente a 2007, que acaba de sair do forno, mostra também aumento de circulação entre os veículos tradicionais, caso do carioca O Globo (5,2%) e dos paulistas O Estado de S.Paulo (4,8%) e Jornal da Tarde (8%), assim como cresceu a circulação do especializado em esportes Lance! (12,3%).
POPULARES
O maior destaque, entretanto, fica por conta dos chamados jornais populares, que custam abaixo de R$ 1,00. Entre eles, o mineiro Super Notícia, que registra excepcionais 104,4% de aumento de circulação no período - uma média diária de 147 mil exemplares, em dezembro de 2006, para 301 mil exemplares em média diária, no mesmo mês do ano passado - encostando no líder nacional, o jornal Folha de S. Paulo.
Antônio Hércules Jr, diretor de Marketing e Mercado Leitor do Grupo Estado, vê com bons olhos, para o futuro do negócio, o interesse que os jornais mais baratos estão despertando na população. “Acredito que os garotos que hoje vêem seus pais lendo um jornal vão se sentir estimulados a adotar esse hábito”, considera ele. “Há um ganho para o mercado como um todo, porque esses leitores, no futuro, podem migrar para outros títulos.”
Na mesma linha, Paulo Queiroz, vice-presidente executivo da agência de publicidade DM9DDB, considera positivo o movimento de oferta e o aumento de consumo de jornais populares. “Os populares ganham rapidamente leitores, sobretudo no Rio e em Minas”, considera ele. “Já em São Paulo, a maior novidade são os jornais gratuitos de rua, que alcançam todas as classes e idades. Esse movimento realmente é benéfico para o meio jornal. Nos dois casos, temos uma espécie de porta de entrada da categoria. Essa porta de entrada vale para o público de baixa renda, mas também serve aos jovens.”
Embora bastante animado com o sucesso dos jornais gratuitos - “fico impressionado ao ver nos pontos de entrega na rua a disputa por um exemplar entre motoqueiros e passageiros de ônibus” -, o vice-presidente de criação da agência Leo Burnett, Ruy Lindenberg, credita boa parte do aumento de consumo de jornais em geral ao boom imobiliário. “Tenho medo que tudo não passe de uma bolha”, pondera.
Para Marco Quintela, vice-presidente de Atendimento da agência Young & Rubicam, o aumento de circulação é um fato inegável que foi endossado pelo aumento da verba publicitária aplicada em jornal. “Pelo Ibope Monitor, que avalia 23 mercados, o porcentual de crescimento dos investimentos em 2007, em relação ao ano de 2006, é de 18% no meio jornal”, informa ele.
Daniela Pereira, diretora de Mídia da agência LongPlay, do Grupo NewComm, conta que, entre seus clientes, houve um investimento três vezes maior no meio jornal, no segundo semestre de 2007, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Para ela, é lógico que pesou nesse resultado a expansão do mercado imobiliário, que tem nesse meio uma importante solução de mídia. Mas Daniela também cita o fato de as agências e veículos terem procurado trabalhar o jornal de forma mais estratégica.
Na comparação com outros países, o Brasil ainda tem muito a avançar em matéria de hábito de leitura. De acordo com o relatório preparado pela Associação Mundial de Jornais, apenas 45,3 em cada mil brasileiros compravam jornais diariamente, em 2005. Os japoneses eram os campeões de leitura, com 633,7 leitores de jornais em cada mil habitantes. Em segundo lugar, vêm os noruegueses, com 626,3 compradores por mil habitantes; e, em terceiro, os finlandeses, com 518,4 por mil. Ingleses (348) e alemães (305) estão mais bem posicionados que os americanos (249,9). Mas o Brasil fica devendo para os vizinhos mexicanos (148,4) e argentinos (94,2).
'Estado' amplia liderança na Grande São Paulo
A soma da venda de jornais, em banca e para assinantes, em 2007 deu a liderança na Grande São Paulo para o jornal O Estado de S. Paulo. Com um aumento de 2,9% na sua circulação em dezembro, ante o mesmo mês do ano anterior, o Estado ganhou leitores em sua cidade-sede, enquanto seu principal concorrente, a Folha de S.Paulo perdeu (-3,4%), segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC).
Entre os cinco maiores jornais que são vendidos na capital e adjacências, outros dois , Jornal da Tarde (6,8%) e Diário de S.Paulo (8,4%), aumentaram sua circulação. No total, tanto as vendas em banca (1%), como o número de assinantes (1,4%) cresceu no último ano na região.
A curva ascendente no consumo de jornais, observada não só em São Paulo, mas em todo o Brasil, tem levado a um aumento no número de filiados ao IVC, como explica Pedro Martins da Silva, presidente do IVC. E, em conseqüência, a uma ampliação dos serviços do instituto.
“O nosso próximo passo será a implantação de uma plataforma que permita aos associados acompanharem também a audiência dos sites de jornais e revistas”, revela Silva. “Há muitos anunciantes, associados ao IVC, interessados nisso, por reconhecerem que o prestígio de um veículo de comunicação não se mede mais apenas por circulação.” Em 2001, os dirigentes do IVC já haviam feito uma tentativa nessa direção, que não foi em frente. “Mas acredito que, este ano, o cenário está bem mais favorável para tal avanço.”
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
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